João Ratão é meio-maluco, maluco-alegre e fora do sistema. O que pretende? O mesmo que as gerações anteriores – a procura da sua própria verdade!
E foi assim desde logo a concepção.
O Pai e a Mãe, sentados à mesa, degustam a última refeição do dia. O Pai lança um olhar malicioso à Mãe, como quem diz quero brincadeira! A Mãe faz de conta que não quer alinhar. E escapa às investidas do marido. Correm à volta da mesa, num jogo de sedução muito próprio. Começou na mesa, mas acabou na cama. E um espermatozóide, vencendo milhares deles, fecunda o óvulo. A primeira batalha ganha!
Dentro da sua primeira residência – o ventre materno – já JR teve de se debater para se fazer ouvir. Quando as orelhas e o cérebro se formaram, começaram as complicações. Já captava as informações do exterior. E não lhe agradavam nem um pouco. Já com um menino de 18 meses, a Mãe estava sedenta por uma rapariga, que, mais tarde, a ajudaria com as tarefas próprias da lida da casa. E bem alto proferia: espero que seja uma menina! E assim JR viu renegada a sua condição masculina: menina isto; menina aquilo! Farto dessas conversas, o pequenote dava pontapés e fazia bolhas. Mas ninguém o podia ouvir. Ou entender!
No seu primeiro contacto com a Humanidade, os médicos decidiram dar-lhe uma palmadinha no rabo para chorar e respirar. Mas o JR já respirava. Só estava à espera de sair para poder gritar SOU UM RAPAZ!
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