segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Peregrino III

Nessa mesma noite voltou a Santiago, à 1h da manhã. Queria sentir o que era Santiago de madrugada. Encontrou um rapaz que lhe pediu tabaco. Como sempre, JR presenteou-o com um truque de magia. Mas o jovem surpreendeu-o com um beijo na boca. Sem dizer mais nada, João Ratão foi embora – detesta contacto físico com as pessoas.
Perto da catedral, duas senhoras e um senhor pediram-lhe que tocasse o clarinete que trazia consigo. O Peregrino explicou que só tocava duas ou três coisas. As senhoras eram espanholas e o senhor era francês.
- Eu sou um grande industrial. Mas também faço social! – gracejou o senhor.
- Pois, olhe, eu sou feliz porque tenho pouco! – respondeu JR.
Na despedida, o senhor deu-lhe um abraço bem forte e um “vemo-nos amanhã”! Mais um contacto físico! Agggh!
Por volta das 2 ou 3 da manhã, aproximou-se de um grupo de jovens, que conversava animadamente. Ao lado, sentado, um senhor, com quem meteu conversa: tinha chegado como peregrino há 15 anos atrás e por lá ficou! Surgiu uma rapariga, com os seus 23 anos, bonita, já com os copos: quando eras mais novo devias ser muito lindo! Quando fores mais velha também vais ser muito bonita!, respondeu JR ao piropo. E a jovem dá-lhe um beijo na boca!
Logo eu que não gosto de contacto físico: arde-me a pele! Só as minhas companheiras e os meus filhos é que me podem tocar. Não gosto, sequer, que os meus colegas me coloquem a mão por cima! E na mesma noite: um rapaz dá-me um beijo na boca, um senhor abraça-me e uma rapariga também me beija na boca!

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