Numa outra ocasião, havia um vizinho do Avô que era dono de uns cães muito maus, que dizia serem os piores de todos, que ninguém lhes poderia chegar. Mas o Avô desafiou o destino: tirou a roupa toda e aproximou-se dos cães de gatas. E o certo é que não o atacaram!
Por isto e por outras coisas, o Avô era o herói do Joãozinho. Como andava sempre descalço, pelos campos, pelos pinhais. Quando chegava a casa, à noite, sempre o mesmo ritual: o Avô lavava os seus pés no alguidar, depois massajava-os, antes de se deitar.
Ia com ele para as vinhas e admirava a forma como o Avô acarinhava as suas cepas: cada vez que fazia um corte, na poda, punha um pouco de saliva na cepa, com a ponta dos dedos, também as acariciava. Quando era altura de misturar o sulfato, despendia muita energia.
A avó materna representa a memória de carinho que guarda no coração. Joãozinho partilhava com ela as suas manhãs: levantava-se muito cedo, acendia a fogueira e preparava o pequeno-almoço – café com faneca ou sardinha frita envolta em farinha.
O pequeno João Ratão não gosta de favas, mas, para os avós não ficarem tristes, fechava os olhos e comi-as. Sempre que os visitava nas férias, era acolhido com um grande sorriso.
A relação dos avós com os animais também era muito especial: a Avó dedicava-se às suas galinhas, aos seus porcos; o Avô falava com os seus bois. E o Joãozinho ficava orgulhoso de o Avô ter os maiores bois da aldeia. Já mais tarde, os filhos receavam que ele, já de uma certa idade, ainda conduzisse os bois, pois alguma criança poderia atirar pedrinhas e os animais assustavam-se e ele já não os conseguiria controlar. O Avô sempre respondia: todas as crianças são minhas amigas.
As salgadeiras serviam para guardar a carne do porco que se matava. A sopa da Avó era a melhor do mundo: ela punha um pouco da manteiga do porco, a carne branca que era guardada no sal. Comia a sopa com broa. O pão branco era um luxo naquele tempo. Tanto que, quando havia, servia de conduto.
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